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Alergia Alimentar como Agente Etiológico de Doenças de Difícil Tratamento

Texto do Dr. Jose de Felippe Junior, adaptado por Lisiane Triebsees

Introdução

Alergia ou intolerância a alimentos pertence ao importante capítulo da "Má Adaptação ao Meio Ambiente" ou "Ecologia Clínica", onde algum alimento é o responsável pelo aparecimento de sintomas físicos ou psíquicos alguns dias após a sua ingestão (cansaço, fadiga, depressão, pânico, irritabilidade, alucinações, gastrite, colite, doença fibrocística de mama, enxaqueca, etc.) e a sua retirada é acompanhada pelo desaparecimento dos sintomas ou da doença.

Histórico e Conceito

A partir de 1935, Theron Randolph iniciou exaustiva pesquisa clínica, procurando descobrir se existia algum alimento ou substância química responsável pelos sintomas físicos e psíquicos dos seus pacientes. Após estudar mais de 5000 pacientes durante 25 anos, com muita paciência e utilizando a técnica da dieta rotatória de restrição e adição do alimento suspeito, chegou à importante e crucial conclusão de que havia relação de causa e efeito entre o alimento ingerido e as queixas físicas e psíquicas de muitos de seus pacientes. O que dificultou a descoberta era que tais sintomas somente apareciam alguns dias após a ingestão do alimento , porém o que mais alegrou o pesquisador foi constatar que os sintomas ou a doença desapareciam com a retirada do agente causal. Nas palavras de Randolph " Milhões de pessoas estavam doentes sem causa aparente. Eram doentes crônicos que não apareciam nas estatísticas, que iam de médico em médico à procura de soluções e no final eram rotulados como psiquiátricos. Estas pessoas estavam simplesmente apresentando : MÁ ADAPTAÇÃO AO MEIO AMBIENTE".

Eram pessoas com má adaptação a algum alimento comum e inócuo para a maioria das pessoas , porém, reagiam a esse alimento com a produção de anticorpos por exemplo da classe IgG, de formação tardia e que provocavam portanto, sintomas também tardios. Theron Randolph é considerado o pai da Ecologia Clínica, porque foi o primeiro a correlacionar a ingestão ou a inalação de substâncias exógenas ( alimentos, químicos, inalantes ) com as doenças degenerativas e os distúrbios emocionais. Foi o primeiro a descobrir que existe a chamada Alergia Cerebral e já naquela época dava valor aos testes provocativos. Em 1970, Marshall Mandell e David King , publicam o primeiro estudo duplo cego com os testes provocativos nas doenças emocionais, iniciando o suporte científico da Alergia Cerebral e da Ecologia Clínica.

Ficou assim estabelecido que certo número de pacientes com doenças de difícil tratamento apresentam na verdade intolerância ou alergia a um ou mais dos alimentos comuns, ou a substâncias químicas ou a inalantes, os quais provocam mal funcionamento de células, tecidos e orgãos. Os sintomas não se manifestam como vermelhidão ou prurido e também não aparecem logo após a ingestão do alimento prejudicial. Os sintomas aparecem horas ou dias após a ingestão ou o contato e se manifestam como : fadiga, cansaço, depressão, irritabilidade, alucinações, gastrite, colite, dores de cabeça, dermatites crônicas, urticárias, etc. dependendo da individualidade bioquímica de cada um. Existem muitos casos de mastopatia fibrocistica com nódulos e cordões coalescentes, provocados por alergia ao leite e que melhoram completamente após a retirada do agente causal. Nas figuras 1 e 2 , vemos um caso descrito por Raphael Nogier.


Fig. 1 e 2

Figura 1 e 2 : Evolução radiológica de um fibroadenoma de mama em mulher com 43 anos (Fig 1) e 5 anos após a exclusão de leite e laticínios ( Fig 2). Á esquerda, a mama em 1991 é densa e à palpação revela-se uma mama "empedrada". A doente sofria de dores muito fortes. À direita, a mama em 1996 após dieta sem leite e laticínios mostrando que as imagens radiológicas melhoraram muito. A palpação da mama é normal, sem cordões ou nódulos.

Nas figuras 3a , b, c ,d , observamos mais um caso descrito por Nogier. Trata-se de um eczema de difícil resolução que não melhorou com o tratamento convencional. Quando se afastou alguns alimentos ( dieta de exclusão) obteve-se a cura total do processo em 18 meses , o que se subentende um processo de intolerância escondida com hipersensibilidade retardada.


Fig. 3a, 3b, 3c e 3d

Figuras 3a, 3b, 3c e 3d de eczema não responsivo ao tratamento convencional que melhorou em 18 meses após a retirada de alguns alimentos, ditados pela dieta de exclusão.

Randolph relata o caso de Prof. Universitário que começou a apresentar alucinações auditivas e visuais terríveis, sendo internado em hospital psiquiátrico com o diagnóstico de esquizofrenia. Em 30 dias de internação não apresentou nenhuma crise e obteve alta. No terceiro dia, em sua casa, iniciaram novamente as alucinações. Nova internação e no hospital nada acontecia. Após 6 meses foi descoberto que era o leite o agente causal. Após a retirada do leite e derivados, nunca mais apresentou qualquer tipo de distúrbio psiquiátrico.

Recentemente, recebemos um paciente com gastrite de difícil resolução, que havia sido examinado por vários gastroenterologistas e que apresentava endoscopia e biopsia confirmando o diagnóstico. O arsenal farmacêutico, fitoterápico e nutricional já havia se esgotado sem sucesso. Foi o próprio paciente que descobriu a sua cura. Verificou que a gastrite aparecia nos fins de semana em Ilhabela , onde era preciso usar dispositivo anti inseto ligado à corrente elétrica. Notou que a gastrite se manifestava, somente quando ele permanecia no ambiente com o dispositivo anti inseto em funcionamento. Livrou-se do dispositivo e nunca mais apresentou gastrite.

William Philpott exalta os clínicos que nadam contra a corrente do conceito convencional de doença, onde se prescrevem medicamentos sintomáticos sem procurar a verdadeira causa. Devemos buscar e combater a verdadeira causa da doença que às vezes pode ser uma reação alérgica retardada a um alimento por mais inofensivo que ele possa parecer para nós.

Mecanismo de Ação:

Alimentos e bebidas ingeridos diariamente constituem-se na maior carga exógena de antígenos imposta aos seres humanos, estimando-se que exceda a várias toneladas no transcorrer da vida. O trato gastrointestinal dispõe de vários tipos de mecanismos, imunológicos e não imunológicas para diminuir a entrada de proteínas estranhas no organismo.

A barreira não imunológica inclui a secreção de ácido clorídrico pelo estômago, a digestão das proteínas pelas enzimas intestinais e do pâncreas, o peristaltismo, a camada de muco e as microvilosidades da mucosa intestinal. É por esta razão que as alergias alimentares são muito freqüentes na infância (déficit enzimático) ou se manifestam bem mais tarde, após os 40 anos de idade, quando o sistema digestivo vai diminuindo progressivamente a produção das enzimas digestivas e de ácido clorídrico.

A principal barreira imunológica a proteínas estranhas é a secreção de moléculas IgA - secretora no interior do intestino, a qual se complexa com as proteínas estranhas e bloqueia a sua absorção. As proteínas estranhas que conseguem chegar à circulação são recebidas por anticorpos da classe IgA , IgM e IgG os quais são eliminados do organismo pelo sistema retículo endotelial.

Pessoas normais geram anticorpos da classe IgA, IgM e IgG em minúsculas quantidades em reação a antigenos alimentares. Reações mediadas por IgE: Liberam histamina, prostaglandinas e leucotrienos ,produzindo uma reação alérgica típica imediata, com sintomas aparecendo em minutos. Não é o que estamos aqui discutindo. Reações não mediadas por IgE: Envolve a classe dos anticorpos IgA, IgM e IgG produzindo os sintomas em horas ou dias. Reações não mediadas por IgE e de mecanismo desconhecido: é um aumento da reatividade a um determinado alimento sem o envolvimento do sistema imune, às quais chamamos de intolerância alimentar a alimento comum.

Quadro Clínico

A seguir vamos enumerar os sintomas de Má Adaptação ao Meio Ambiente , elaborados por Randolph.

A - NÍVEIS DE ADIÇÃO ( estimulação)

  • Mais 1: Raramente visto pelo médico: são pessoas alegres e de alto astral e medianamente excitados. São saudáveis ao extremo.
  • Mais 2: Frequentemente visto pelo médico.
    • Hiperatividade: criança e adulto
    • Obesidade
    • Alcoolismo
  • Mais 3:
    • Egocentrismo
    • Ansiedade
    • Nervosismo ao extremo
    • Tremores
    • Comportamento de alcoolizado com incoordenação motora
  • Mais 4:
    • Mania , com ou sem convulsões
    • Crise epiléptica
    • Reações catatônicas
    • Agitação psicomotora
    • Pânico
    • Pensamentos, movimentos e fala repetitivos (obsessivo-compulsivo)!

B- NÍVEIS DE SUBTRAÇÃO (abstinência)

  • Menos 1: Sintomas físicos localizados
    É o campo do alergista ortodoxo
    • Sinusite
    • Rinite
    • Asma
    • Urticária
    • Eczema
    • Dermatite de contato
  • Menos 2: Sintomas físicos sistêmicos
    Raramente diagnosticado pelos médicos
    • Fadiga
    • Dor de cabeça
    • Dores musculares
    • Dores articulares
    • Gastrite
    • Colite
  • Menos 3: Sintomas mentais e alterações do comportamento
    • Depressão leve
    • Confusão mental
    • Diminuição da memória
    • Indecisão
    • Brain fag"
    • Mudanças do humor
  • Menos 4: Sintomas mentais mais severos
    - depressão grave
    - psicoses
    - reações mentais com alterações da percepção e da consciência

No Brasil, José Arnaldo Gaertner e Jorge Cavalcanti Boucinhas em experiência clínica de longos anos no estudo da alergia alimentar, relatam os principais sinais e sintomas da alergia alimentar:

  1. Gastrointestinais
    Náuseas, vômitos, diarréia, constipação, flatulência, eructação, gastrite, cólicas intestinais, cólon irritável, Doença de Crohn, prurido anal, língua saburrosa, sintomas aparentes de problemas da vesícula.
  2. Dermatológicos
    Erupções, assaduras, eczemas, dermatites herpetiformes, pele seca, caspa, unhas e cabelos quebradiços
  3. Otorrinolaringológicos
    Coriza e congestão nasal, lacrimejamento, visão turva, estalos, zumbidos e dor de ouvido, sensação de descer a serra, surdez, infecções de ouvido recorrentes, prurido e corrimento auditivos, dores de garganta, rouquidão, tosse crônica, prurido no céu da boca, sinusite recorrente.
  4. Cardiopulmonares
    Palpitações, arritmias , taquicardia, asma, congestão no peito e bronquite
  5. Outros sinais e sintomas
    Fadiga crônica, artrites, dores musculares e articulares, edema de mãos, pés e tornozelos, sintomas urinários como poliúria, ardência e urgência miccional, prurido e corrimento vaginal, variação rápida de peso ( de 1 a 1.5 Kg ou mais, correspondendo a inchaço), bulimia e anorexia nervosa, dores de cabeça , enxaqueca, inchaço e rugas sob os olhos ("olheira"), tontura , vertigem , zonzeira.

Testes Diagnósticos para a alergia alimentar

Segundo Gaertner e Boucinhas , um alérgeno alimentar quando pesquisado por intradermo reação pode dar falsas reações positivas, pois a sua via de inoculação não é a mesma. Outro problema é que são testes dispendiosos e muito dolorosos.

O RAST no sangue é um método acurado para a identificação de alérgenos alimentares, principalmente porque a maioria das alergias alimentares se manifestam em um tempo não inferior a 1 dia após a ingestão, geralmente 2-3 dias, podendo chegar até 30 dias após a ingestão. O RAST do sangue, é especifico e tem boa reprodutibilidade, porém é dispendioso.

O FICA ( Food Imune Complex Assay ) , dosa a presença de anticorpos no sangue, é fidedigno, porem é muito caro. Para Gaertner e Boucinhas o melhor método é o VEGA - RAST que dosa os alérgenos por bioressonância eletromagnética. Mede a presença dos alérgenos alimentares através da interação entre os alimentos alergênicos e os não alergênicos à passagem de uma corrente elétrica de amperagem e voltagem pré conhecidas e aplicada sobre um ponto de acupuntura ( TING - polpa do polegar ). O teste é prático e de um modo rápido podemos testar mais de 130 alérgenos no próprio consultório. O VEGA - RAST do modo que ensinam Gaerthener e Boucinhas se correlaciona estatisticamente com o RAST no sangue.

Tratamento

Consiste no afastamento do alimento causal, após realizar o teste de alimentos, reforçar a imunidade com nutrientes que estão envolvidos no equilíbrio do sistema imunológico junto do tratamento de imunoterapia ativada com acompanhamento médico especializado.

Referências Bibliográficas

  1. Theron G. Randolph : An Alternative Approach to Allergies : The New Field of Clinical Unravels the Environmental Causes of Mental and Physical Ills. Harper & Row, Publishers, New York,1989
  2. José Arnaldo Gaertner e Jorge Cavalcanti Boucinhas: Introdução à Eletrocupuntura de Voll e ao Vegatest. Icone Editora Ltda, São Paulo, 2000.
  3. Raphael Nogier : As Alergias Ocultas nas Doenças da Mama. Organização Andrei Editora Ltda,1998.
  4. Shils, Olson and Shike: Modern Nutrition in Health and Disease. Lea & Febiger , Philadelphia,1994.
  5. Willian H. Philpott : Brain Allergies ; Keats Publishing,Inc, Connecticut,1980
  
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